O mercado parece partir do pressuposto de que a chegada das novas colheitas derrubará rapidamente os preços do Feijao-carioca para níveis abaixo de R$ 350 por saca. Essa leitura pode se mostrar precipitada.
No Vale do Araguaia e na região de Santa Fé de Goiás, a área cultivada sofreu redução estimada entre 40% e 50% em comparação com o ano passado. Além disso, boa parte das lavouras foi implantada mais tarde, atrasando a entrada efetiva de volumes expressivos no mercado.
Nesse contexto, é perfeitamente possível que a demanda por Feijões nota 9 ou superior continue encontrando oferta limitada, sustentando cotações acima de R$ 350 ao menos até meados de julho.
Há precedentes para isso. Em outros anos, a disponibilidade de lotes excepcionais em tamanho de grão, brilho e cor não apenas permitiu preços firmes, como também ampliou o volume comercializado. Quando a indústria e o varejo precisam de produto diferenciado, a qualidade passa a valer mais do que a simples expectativa de aumento da oferta.
Julho pode ser um daqueles meses em que o produtor, desde que bem informado e financeiramente organizado, mantém nas mãos uma parcela importante da formação dos preços. A decisão de vender rapidamente por receio de uma queda generalizada ou administrar a oferta de forma estratégica pode fazer diferença significativa no resultado final da safra.
Ao mesmo tempo, é importante manter a perspectiva. Seja como for, preços acima de R$ 300 por saca, combinados com boa produtividade, já são suficientes para proporcionar resultados bastante satisfatórios em um ano em que boa parte do agro enfrenta margens apertadas, dificuldades de crédito e rentabilidades inferiores às esperadas. Em outras palavras, mesmo que o mercado não entregue os melhores cenários imaginados, quem colher bem e comercializar com disciplina tende a encerrar a temporada em posição muito melhor do que a observada em diversas outras atividades agrícolas neste ciclo.
O mercado costuma premiar quem produz Feijao excepcional. Em alguns anos, premia também quem consegue esperar o comprador descobrir que a escassez não acabou apenas porque a colheita começou.
