Oficialmente, começou a tão esperada colheita da terceira safra de Feijão-carioca irrigado.
Como quase sempre acontece, o Vale do Araguaia, pelo lado goiano, saiu na frente. A colheita começou e, com ela, tem início também o teste mais importante deste momento: entender até onde o mercado consegue sustentar os preços diante de uma oferta menor e de uma demanda que ainda busca Feijão de qualidade.
A comparação com o ano passado mostra bem a diferença de cenário. Na mesma época, as médias praticadas ficaram cerca de 60% abaixo das registradas neste ano: R$ 220,80 em junho, R$ 206,06 em julho e R$ 211,40 em agosto. Agora, o mercado começa em outro patamar, refletindo aquilo que todos já conhecem: menor oferta disponível, transição apertada entre safras e poucos lotes realmente superiores.
Os primeiros Feijões irrigados, com boa cor, bom tamanho de grão e classificação mais alta, devem atender uma parcela específica do consumo. Existe consumidor disposto a pagar mais por qualidade. Mas esse público não representa todo o mercado.
Por isso, a pergunta central dos próximos dias será: qual será a reação do consumidor quando esse novo patamar de preços continuar chegando às gôndolas?
Quando o preço sobe demais, o consumidor não abandona o Feijão de uma vez. Ele compra menos, troca de marca, busca promoções ou aceita uma qualidade inferior. Essa reação demora um pouco para aparecer no campo, mas aparece.
Para o produtor, a entrada da terceira safra não deve ser interpretada automaticamente como pressão baixista. A oferta começou, mas não vem como uma enchente. Vem aos poucos. Quem tiver Feijão nota 9, com mais de 90% de peneira 12, segue em boa posição de negociação.
Quanto mais informado o produtor estiver sobre o que realmente está acontecendo, mais lenta tende a ser a queda dos preços. Mas também é preciso separar firmeza de teimosia. Nos patamares atuais, não há grande razão para segurar Feijão indefinidamente. Para muitos lotes, a melhor estratégia pode ser colher, carregar e realizar margem.
Para o comprador, o desafio será comprar bem e entregar rapidamente. Não parece haver muito espaço para ficar apenas esperando uma queda que talvez demore mais do que o necessário para recompor os estoques.
A terceira safra começou. Agora, o mercado vai medir, ao mesmo tempo, o volume real colhido, a qualidade dos primeiros lotes e a resistência do consumidor aos preços. Julho começa com cara de mês decisivo.
