A terceira safra começou com rara qualidade

Por: IBRAFE,

30 de junho de 2026

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Os primeiros lotes do Vale do Araguaia chegam com qualidade muito acima da média, preço firme e um sinal raro: alta justamente no início da colheita. Isso muda a leitura do segundo semestre.

 

Definitivamente, começou agora a colheita da terceira safra de Feijão-carioca. E começou com um recado importante: não é apenas volume que está entrando. É qualidade.

No Vale do Araguaia, os primeiros lotes de Feijão-carioca Marhe chamam a atenção pela aparência e pela peneira. Estamos falando de um Feijão claro, dentro do padrão mais desejado pelo mercado, com 98% de peneira 11 e 96% de peneira 12. Em um ano em que qualidade virou artigo de luxo, esse detalhe não é pequeno.

Na semana passada, cerca de 50 mil sacas foram negociadas a R$ 380. Ontem, à noitinha, mais 22 mil sacas foram confirmadas a R$ 385. Aqui está o ponto raro: o mercado subiu justamente quando a colheita começou.

Normalmente, a entrada da colheita traz pressão, cautela do comprador e tentativa de derrubar as referências. Desta vez, pelo menos neste começo, aconteceu o contrário. A qualidade apareceu, os compradores estavam presentes e o preço não cedeu.

Em Minas Gerais, também foram confirmados negócios de pivôs inteiros, vendidos para mais de um comprador. Isso mostra que a disputa por lotes bons segue ativa. Não é um comprador isolado pagando acima da média. É o mercado tentando garantir produto. Há compradores de todos os tamanhos e dos principais estados do Brasil.

No Paraná, o Sudoeste ainda pinga alguma mercadoria a cada semana, mas o volume vai ficando tão pequeno que, daqui em diante, tende a fazer cada vez menos diferença na formação nacional de preços. A segunda safra paranaense já não parece ter força suficiente para mudar o rumo do mercado.

O que há de diferente neste ano?

A resposta está na velocidade com que a terceira safra pode ser comprometida. Em mais 10 ou 15 dias, poderemos chegar a algo entre 40% e 50% do total já vendido ou direcionado em Goiás. Se isso se confirmar, a quantidade de Feijão realmente disponível para pressionar os preços será menor do que todos imaginavam.

A partir daí, entra outro fator decisivo: a armazenagem. O produtor que tiver Feijão de qualidade e acesso à câmara fria dificilmente vai se sentir obrigado a vender se o mercado tentar voltar rapidamente para perto de R$ 300. Esse pode ser o piso psicológico em que muitos preferem guardar o produto, principalmente se a produtividade permitir uma margem confortável.

Isso não significa que o mercado só sobe. Esse é o tipo de leitura perigosa que costuma custar caro. Consumo, varejo, substituição de padrão e velocidade de empacotamento ainda precisam ser acompanhados. Mas os sinais estão ficando claros: o segundo semestre começa com menos folga do que parecia, e Feijão bom continua tendo dono antes mesmo de esfriar no armazém.

O mercado está dizendo, sem muito discurso: a qualidade vai mandar. Quem precisar de Feijão claro, graúdo e com boa peneira talvez descubra que a colheita começou, mas a liquidação não veio junto.

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