O efeito da valorização pós-geada está aparecendo de forma mais clara no Feijão-preto. Já há negócio confirmado em até R$ 240, e o PNF reforça que o Paraná começou a mudar de patamar, ainda que com diferenças importantes entre regiões e qualidades. No Sul do Paraná, apareceram referências de Feijão-preto T2 a R$ 220. No Sudoeste, Feijão-preto T2/3 apareceu a R$ 200. Ou seja, o mercado ainda não está uniforme, mas definitivamente saiu daquele ambiente em que qualquer valor abaixo de R$ 200 para boa mercadoria parecia aceitável.
No Feijão-carioca, o PNF mostra um quadro ainda mais sensível. No Noroeste de Minas Gerais, apareceram referências de Feijão-carioca 8,5 a R$ 400 e até R$ 440. Também há registros a R$ 280 na mesma região, padrão comercial.
Nos Campos Gerais do Paraná, o PNF trouxe Feijão-carioca 8,5 com referências de R$ 390 para Nelore, R$ 385 para Sabiá e novamente R$ 390 para Sabiá. No Sudoeste do Paraná, apareceu Feijão-carioca nota 8 a R$ 365. Isso confirma que, apesar do volume colhido em Castro e região, a entrada de oferta não significa pressão automática de baixa. Boa parte do produto está chegando úmida, com relatos de mais de 25% de umidade em armazéns, e os secadores seguem trabalhando dia e noite.
A diferença entre Feijão colhido e Feijão pronto para venda virou o ponto mais importante da semana. Há produto chegando, mas nem todo produto chega limpo, seco, padronizado e pronto para atender empacotador. Esse intervalo entre a colheita e a mercadoria comercialmente disponível é onde o mercado está fazendo preço.
O frio começa a perder força, mas a umidade passa a ser o novo risco. Para as lavouras ainda em desenvolvimento na região de Castro, o foco agora muda para doenças fúngicas. Para o mercado, o foco muda para qualidade, capacidade de secagem e velocidade de liberação dos lotes.
A leitura prática para o Clube Premier é esta: o Feijão-preto reagiu mais rápido ao pós-geada, mas o Feijão-carioca segue sustentado por uma combinação de oferta ainda desorganizada, produto úmido, qualidade variável e compradores que não podem ficar descobertos.
Neste momento, olhar apenas para volume colhido pode induzir ao erro. O mercado está sendo definido por qualidade, umidade, tipo de Feijão e velocidade de decisão. É hora de colher e vender. Os produtores que estão colhendo e vendendo estão optando pela sensatez lógica. Empacotadores também agora é da mão para boca. O mercadopoderá ainda antes da colheita do irrigado apresentar valorização seguida de parada para novamente acelerar a demanda.
